Personalidades escrevem carta aberta nos 45 anos do assassinato do padre Max

Políticos, artistas, historiadores, jornalistas, padres. Uma lista de portugueses consideram que é preciso não esquecer um período negro da história portuguesa em que movimentos como o MDLP assassinaram pessoas.

45 anos depois do atentado bombista perpetrado pela extrema-direita e que vitimou o padre Maximino Barbosa de Sousa e a estudante Maria de Lurdes Correia, Luís Fazenda considera que faz todo o sentido lembrar a data. A 2 de abril de 1976, o dia em que se aprovava a Constituição Portuguesa, a morte atingiu o padre que regressava a Vila Real depois de ter lecionado aulas noturnas, voluntárias e gratuitas a adultos na Casa do Povo da Cumieira.

Na opinião do dirigente do Bloco de Esquerda e principal impulsionador da carta aberta que junta diversas personalidades, há hoje perigos à espreita na sociedade portuguesa, os mesmos que o jovem pároco de Trás os Montes combatia. "Há o aparecimento de preconceitos e de teorias de racismo e xenofobismo que estão associados a esses fenómenos de extrema-direita", diz Luís Fazenda. Teorias que é preciso combater "para defender os valores republicanos", adianta. Em sua opinião, o padre Max "foi um símbolo da luta contra a extrema-direita e também para os jovens de hoje que continuam a acalentar os sonhos do desenvolvimento do interior contra o esquecimento".

A morte do padre que andava pelas aldeias de Trás os Montes a lecionar aulas gratuitas a adultos, a envolver-se na defesa dos trabalhadores agrícolas e dos estudantes foi um choque para o Padre Constantino Alves, na altura um jovem que acabara o curso de teologia e que fazia o mesmo trabalho do que Max em bairros pobres do Porto. "Tínhamos ambos uma perspetiva do evangelho com uma mensagem libertadora, com o enfoque nos mais pobres".

Para este padre católico, esses eram tempos em que se vivia "a ferro e fogo" na zona norte do país. Constantino Alves é na atualidade responsável por uma paróquia de Setúbal. Ontem, como hoje, considera ser essencial lembrar esta morte e o significado que ela tem. "Do ponto de vista económico e social há um conjunto de carências que se mantêm hoje e que se assemelham muito às daquele tempo", diz o padre. "Há ainda muitos setores da sociedade marginalizados e a viverem numa grande pobreza."

Luís Fazenda, que chegou a conhecer o Padre Max "fugazmente", considera que ele tinha noção do perigo que corria na altura, numa sociedade muito extremada. "Ele sofria muitas ameaças", revela. "Foi um tempo de terrorismo contra a democracia, uma onda de violência que assolou o norte do país", recorda. Tempos em que eram frequentes os atentados à bomba nas sedes partidárias ou mesmo o assassinato de pessoas.

Depois de vários processo judiciais, a justiça portuguesa considerou que a autoria moral do atentado pertencia à organização de extrema-direita MDLP, mas nenhum arguido foi condenado.

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