"Retrocedemos." Vão ser cinco anos de "cancros muito mais avançados" e grande aumento de mortalidade

O grande impacto nas mortes por cancro, agudizado pela pandemia, deverá sentir-se dentro de um a cinco anos, avisa a Liga Portuguesa Contra o Cancro, que defende uma reorganização urgente do Serviço Nacional de Saúde. Nesta sexta-feira, assinala-se o Dia Mundial Contra o Cancro.

A Liga Portuguesa Contra o Cancro antecipa que as mortes por cancro devam aumentar nos próximos cinco anos, e faz um balanço preocupante dos últimos dois. A Liga assinala que, durante a pandemia, muitos cancros ficaram por diagnosticar.

Além de menos rastreios, houve atrasos nos tratamentos. O secretário-geral da Liga Portuguesa Contra o Cancro, Vítor Veloso, faz um diagnóstico do "esquecimento" em que caíram os doentes oncológicos. "É obviamente preocupante, na medida em que efetivamente, durante estes dois anos, praticamente os doentes oncológicos foram praticamente esquecidos", aponta o responsável.

Distinguindo as patologias oncológicas das restantes doenças crónicas, Vítor Veloso assinala que "o cancro é uma doença que tem timings, e esses timings não foram cumpridos na maioria dos casos".

São agora esperadas deteções mais tardias, ao longo dos cinco anos que se seguem. "Vamos ter, com certeza, cancros muito mais avançados", admite o secretário-geral da Liga Portuguesa Contra o Cancro, que acrescenta outras previsões. "A mortalidade vai subir nos próximos anos. A mortalidade por cancro vai aumentar de uma forma surpreendente."

Vítor Veloso lembra que, devido à pandemia, a própria Liga Portuguesa Contra o Cancro suspendeu o rastreio de cancro da mama por sete meses. O número de mamografias teve uma "descida abrupta", para menos de metade das que tinham sido feitas em 2019, antes do início da pandemia.

Por esta altura, os rastreios já foram retomados a 100%, mas Vítor Veloso alerta que a recuperação não vai ser imediata. "Nós tínhamos baixado, aqui no Norte, a mortalidade em 20 a 24% nas mulheres", nota.

"Retrocedemos, e obviamente levaremos dois ou três anos para conseguir novamente atingir o nível que anteriormente tínhamos." Para isso, será necessária "uma reestruturação", porque "há setores que têm de continuar a sua atividade normal", analisa o responsável.

"Algumas doenças crónicas podem esperar um mês ou dois, o cancro não pode esperar." É o alerta de Vítor Veloso, secretário-geral da Liga Portuguesa Contra o Cancro.
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