Tartarugas em zoos conseguem adiar envelhecimento

A conclusão é de uma equipa de investigadores da Universidade do Sul da Dinamarca. A portuguesa Rita Silva, uma das responsáveis pelo estudo, diz que "as tartarugas conseguem investir mais no crescimento".

É o sonho de muitos seres humanos e que já é possível, mas nas tartarugas. Adiar o que parece inevitável, o envelhecimento. Uma equipa de investigadores da Universidade do Sul da Dinamarca descobriu que, no caso das tartarugas, é possível "retardar ou escapar a estes efeitos negativos de envelhecer".

Rita Silva, uma das investigadoras do estudo, que integra agora o Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto, revela que tudo partiu de teorias que indicavam que havia espécies que poderiam retardar o envelhecimento. Além de "crescerem a vida toda", conseguem "atrasar a reprodução, investir mais no crescimento e isso parece dar [às tartarugas] alguma vantagem evolutiva em termos de anos vividos", refere uma das quatro investigadoras envolvidas no estudo.

Para chegar à conclusão que desafia a natureza, a equipa estudou 52 espécies de jardins zoológicos de todo o mundo e pegou "nos nascimentos e mortes de cada" espécie e obteve a idade com que morrem. A partir daí conseguiram "fazer trajetórias de mortalidade e ver a probabilidade de morrer a dada idade". "Nós sabemos que x indivíduos chegaram até aos 20 anos e quantos chegaram aos 30 anos e conseguimos ver qual é a probabilidade que essa população tem de chegar aos 30 anos", exemplifica Rita Silva.

Depois fizeram este exercício juntando as espécies que vivem nos zoos e ao ar livre e concluíram que as que estão em cativeiro vivem mais tempo. A investigadora esclarece que "como não precisam de investir tanto em energia, em encontrar alimento, em protegerem-se de predadores, podem alocar essa energia para viverem mais anos. Existe algum efeito do ambiente".

Ainda assim essas tartarugas estão na mesma sujeitas a doenças, mas não têm a ameaça de predadores ou comida limitada, como acontece com as espécies ao ar livre. Rita Silva, entre risos, esclarece que não são imortais. Um desejo que certamente alimenta a esperança de muitos seres humanos. Ainda assim a investigadora diz que nem tudo está perdido e que já houve muitos avanços.

"Em humanos o que estudos indicam é que mesmo em condições ideais, ambientais - vivemos em casas, não temos que ir caçar, nem temos predadores naturais -, no entanto, o aumento de longevidade deve-se a termos conseguido baixar as taxas de mortalidade infantis e juvenis, bem como a taxa de mortalidade global", afirma Rita Silva.

Mas a biologia é que parece mesmo difícil de contrariar.

Ao contrário do que acontece nos seres humanos, em que as mulheres vivem, em média, mais que os homens, no caso das tartarugas são "os machos que vivem mais que as fêmeas". A investigadora confessa que não há uma justificação para isso. "Teremos de investigar", acrescenta.

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