Trinta e um enfermeiros do Hospital de Vila Franca de Xira pedem escusa de responsabilidade

Presidente do Sindicato de Enfermeiros diz que "todos os dias pelo menos um enfermeiro da Urgência do Bloco está a ser desviado para dar assistência à Urgência Geral", o que pode ter "consequências" para o doente.

Os 31 enfermeiros da Urgência do Bloco Operatório de Vila Franca de Xira apresentaram a declaração de exclusão de responsabilidade à administração daquela unidade hospitalar, denunciou esta quarta-feira o Sindicato dos Enfermeiros (SE).

O sindicato adianta em comunicado que os enfermeiros estão escalados para um serviço, mas têm de desenvolver atividade na Urgência Geral, deixando o bloco operatório sem o número de elementos necessários.

"Todos os dias pelo menos um enfermeiro da Urgência do Bloco está a ser desviado para dar assistência à Urgência Geral, deixando o serviço de origem com menos enfermeiros em permanência do que o que está estipulado nas dotações seguras da Ordem dos Enfermeiros", afirma o presidente do SE, Pedro Costa, citado no comunicado.

Pedro Costa explica que, de acordo com a declaração assinada pelos 31 enfermeiros, "é dada indicação a um dos enfermeiros escalado para se ausentar do Bloco Operatório e permanecer na Urgência Geral enquanto não estiverem a decorrer cirurgias".

"Se houver uma cirurgia de urgência, o enfermeiro deslocado tem de voltar de imediato para o serviço para o qual está escalado, o que nem sempre pode ser feito no imediato, dado que o enfermeiro pode estar com um utente", adverte o dirigente sindical.

Alerta ainda que esta situação coloca em risco a segurança dos doentes e "pode comportar atrasos no tempo de resposta de uma cirurgia urgente ou emergente, com todas as consequências que daí podem advir para o doente".

"Estamos a falar de dois serviços com elevada complexidade e responsabilidade, pelo que não podemos exigir aos enfermeiros que estejam escalados para ambos em simultâneo, com o mesmo nível de disponibilidade e concentração", defende o presidente do SE.

Os subscritores da Declaração de Exclusão de Responsabilidade, entregue à administração do Hospital de Vila Franca de Xira, ao Ministério da Saúde e à Ordem dos Enfermeiros, dizem compreender a "sobrecarga que o atual quadro pandémico exige às equipas de enfermagem".

Contudo, mostram-se apreensivos com o risco que este tipo de soluções, temporárias, podem representar para os doentes que acedem ao Hospital de Vila Franca de Xira e necessitem de uma cirurgia de urgência, refere o SE, que irá reunir-se com os enfermeiros do Serviço de Urgência do Bloco Operatório na próxima sexta-feira.

Dados divulgados na terça-feira pela Ordem dos Enfermeiros (OE) indicam que, até à presente data, 4.475 enfermeiros pediram escusa de responsabilidade, quando no final de dezembro havia o registo de 3.013 declarações apresentadas.

Esta declaração foi disponibilizada pela OE a todos os enfermeiros para acautelar a eventual responsabilidade disciplinar, civil ou criminal desses profissionais, "face ao elevado número de doentes a seu cargo, uma vez que está demonstrado por estudos internacionais que, por cada doente a mais a cargo de um enfermeiro, a mortalidade sobe 7% nos hospitais", avançou a OE em comunicado.

No último mês, chegaram à OE pedidos de escusa de responsabilidade de profissionais do Hospital de Leiria, que já ascendem a 2.185, de um total de 2.802 da região Centro, que engloba também as situações de Coimbra, Caldas da Rainha e Guarda.

"Na região Sul, com um total de 1.224 declarações de escusa, são os hospitais de Setúbal, Algarve e Amadora Sintra que enfrentam as situações mais graves, além do Santa Maria, onde já esta semana 101 enfermeiros da urgência pediram escusa de responsabilidade", adiantou a ordem.

No final de 2021, o Governo assegurou que, desde o início da pandemia de Covid-19, "registou-se um aumento recorde dos profissionais de saúde", com a contratação de mais 1.400 médicos e mais 4.800 enfermeiros para o Serviço Nacional de Saúde.

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de