Viana do Castelo sem prédio Coutinho: "Fico satisfeita porque desaparece este monstro da minha frente"

O prédio Coutinho já desapareceu definitivamente da paisagem de Viana do Castelo. Ainda há trabalhos a decorrer até ao final de junho, mas os 13 andares do edifício foram praticamente reduzidos a escombros.

Maria da Luz, de 85 anos, vive há mais de 60 ao lado do Edifício Jardim, vulgarmente conhecido por prédio Coutinho, em Viana do Castelo. Assistiu à sua construção na década de 70 e agora à demolição, que, segundo a sociedade Viana Polis, deverá ser concluída "até ao fim de junho".

O imóvel de 13 andares tapava a vista e o sol à maioria das construções ao redor, mas já deixou de fazer sombra. Definitivamente. Foi reduzido a uma montanha de escombros, que estão a ser retirados do local para que a máquina demolidora conclua os trabalhos de desconstrução dos últimos andares da base. Maria da Luz respira de alívio e louva o sol que lhe entra pleno pela casa dentro.

"Fico satisfeita porque desaparece este monstro da minha frente", comenta à TSF a octogenária, que foi acompanhando do seu quintal a obra prestes a terminar.

"Como se pode ver ou como se pode não ver, melhor dito, o prédio Coutinho desapareceu da paisagem de Viana do Castelo, de facto. Foi duro, mas foi feito com sucesso", refere o administrador da sociedade Viana Polis, Tiago Delgado, adiantando que "a obra correu bem, sem incidentes, e mais três semanas, até ao fim do mês de junho, o local fica totalmente limpo". "Agora é a parte mais fácil", disse, acrescentando que aquela sociedade Polis deverá ser extinta até ao fim deste ano.

A escassos metros do prédio, edificado pelo construtor e antigo emigrante no Congo Belga Fernando Coutinho, vive Defensor Moura, que como presidente de Câmara de então, deu início ao processo de demolição do imóvel. E que no último meio ano, acompanhou com satisfação ao desaparecimento gradual do edifício. "Via-o do meu quarto, quando estava deitado, e já há uns dias que deixei de o ver", conta o antigo autarca, considerando que, finalmente, foi concretizada "uma ambição dos vianenses".

"Tenho acompanhado a demolição quase diariamente. Vou até à outra margem do rio Lima para ver [o efeito do desaparecimento do prédio] o perfil do centro histórico e, de facto, estou agradado", descreve, comentando que tem "recebido centenas de mensagens a dar os parabéns, pela coragem que tivemos e, principalmente pela resistência, que Viana Polis e Câmara tiveram para manter a minha ideia".

Defensor Moura recorda que passaram exatos 22 anos, desde que se iniciou o processo de demolição agora prestes a ser concluído.

"Foi em 5 de junho de 2000 que o primeiro-ministro António Guterres e o ministro do Planeamento da altura, José Sócrates, vieram a Viana do Castelo anunciar a aprovação do programa Polis, assinar o contrato e definir que no planeamento estava incluída a demolição do prédio Coutinho", lembra, sublinhando que esta foi "a terceira tentativa" de erradicação daquele edifício da paisagem vianense. "Já tinha havido uma em 1975 pela Comissão Administrativa da Câmara e depois em 1990 houve uma tentativa por um executivo liderado pelo PSD", recorda o antigo autarca do Partido Socialista.

Sem a intrusão visual, que confere uma luminosidade diferente à zona onde o edifício esteve implantado durante cerca de meio século, moradores e comerciantes esperam agora que ali nasça o novo mercado da cidade. "Que venha realmente para aí o mercado, que foi prometido", comenta um comerciante, que pede para não ser identificado, concluindo: "Agora já bate muito aqui o sol. Nota-se bem. Até vamos poupar na luz".

A demolição, a cargo da empresa Baltor (Viana do Castelo), começou a ser concretizada no dia 6 de dezembro de 2021, com recurso a uma máquina giratória de longo alcance (braço atinge cerca de 40 metros).

O processo sempre foi contestado nos tribunais pelos moradores.

No imóvel com 105 frações, chegaram a habitar cerca de 300 pessoas.

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