Sinais

"Sinais" nas manhãs da TSF, com a marca de água de sempre: anotação pessoalíssima do andar dos dias, dos paradoxos, das mais perturbadoras singularidades. Todas as manhãs, num minuto, Fernando Alves continua um combate corpo a corpo com as imagens, as palavras, as ideias, os rumores que dão vento à atualidade.
De segunda a sexta, às 08h55, com repetição às 14h10.

Crónica de proximidade

A unidade móvel da PSP, ontem inaugurada no Porto, avariou e teve de ser rebocada. A notícia garante que a unidade policial ambulante foi rapidamente substituída. A eficácia não evitou o ridículo. O mais certo é que alguém surja, entretanto, a reclamar oficinas móveis ou até módulos mais complexos que incluíam um mecânico-polícia por unidade móvel. Um mecânico-polícia, não um polícia-mecânico, entidade susceptível de interpretações desajustadas.

A avaria da unidade móvel teve, contudo, a vantagem de não ser disfarçável e de exigir reparação. Isso só atesta os ganhos de causa da proximidade, do à vista de todos. Já as falhas de funcionamento das esquadras tradicionais, as unidades imóveis, não são escrutináveis a olho nu, não são esquadrinhadas pelos cidadãos. Primeira conclusão a tirar: antes a avaria, superável, da mobilidade, do que os danos irremediáveis da imobilidade.

Anda a polícia tantas vezes de casa às costas. Possa, ao menos, o episódio dar pistas para uma solução a contento geral. Talvez a solução seja, afinal, a casa que anda. Não se trata de delírio de ficção científica. A casa que anda existe, foi notícia, em Inglaterra, há precisamente um ano. Não tem motor, nem rodas, como as unidades móveis. Tem hastes em que se apoia e que se movem como pernas. Mais do que a "nuvem de calças" de Maiakovski, ainda que esta tenha feito chorar Gorki, a casa com pernas é uma ideia que anda, já testada, movida a energia solar ou eólica e munida de um sistema de captação de água da chuva. É o tipo de unidade móvel que garante proximidade e sustentabilidade o que, dadas as circunstâncias, não é desdenhável.

E onde as soluções de mobilidade esbarrem no engulho de zonas íngremes? Bem perguntado: o gabinete de estudos que dá apoio ao cronista está a trabalhar na hipótese de esquadras rolantes.

Até setembro.

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